quinta-feira, 2 de abril de 2009


Onde estão as minhas asas
Asas de voar ao céu
De subir por sobre as casas
De tornar o mundo meu?

De aventureiro ir
Por sobre as ondas do mar
De subir, subir, subir…
E de desejar não voltar?

De por sobre a terra calma
Deambular em giraldinas
E encher o corpo e a alma
Desses campos de boninas?

De descer descontrolado
Entregando a vida à sorte
E por milagre sagrado
Sobreviver à negra morte?

Onde estão as minhas asas
Asas que o sonho me deu
E que usei vezes sem conta
Para fugir do mundo breu?

Oh asas que tanto bati,
Nesse bater sem parança,
Que é de vós, que vos perdi
Quando perdi a esperança?

Que é delas, asas de mim,
Que me levavam além
E me tornavam sem fim
Um homem, quas’anjo também.

Perdido neste abandono,
As asas já não sinto agora;
Caíram… Como folhas no Outono
O vento as levou embora.

Onde estão as minhas asas
Asas que o sonho me deu
Para voar sobre as casas
E com elas subir ao céu?

Perdi-as num dia louco
Quando a noite se insinuava
E a lua nova, pouco a pouco,
Sua auréola mostrava.

Perdendo as asas morri...
Morri por dentro no sonho
E quanto com elas vivi
É nos meus versos que ponho.

E digo adeus num aceno
Humano assim aos mais igual,
Que a vida é um veneno
Silencioso, pérfido, especial.

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